Por Irving Oliveira.
A Engenharia de Software é a disciplina que rege a produção de sistemas computacionais. Ela é uma das mais recentes engenharias, porém, é também uma das mais complexas, pois, seu escopo de estudos vai desde a implementação de códigos-fonte de sistemas computacionais até comportamento humano, uma vez que, softwares, basicamente, são automatizações de processos e os atores desses processos, em grande parte, são humanos.
Uma das diversas preocupações da Engenharia de Software é a qualidade. Esta área é alvo de muitos estudos e já foi capaz de fornecer uma série de evidências capazes de auxiliar os profissionais que atuam na produção de software. Estas evidências mostram que um fator determinante na produção de softwares de qualidade é o processo que lhes darão origem. Diversos estudos foram capazes de demonstrar que um processo de software maduro têm impacto positivo na produtividade, na qualidade do software, além da redução de retrabalho e de defeitos no produto (ASHRAFI, 2003).
A maturidade de um processo é medida através de avaliações com base em normas e modelos de referência, como a Série de Normas ISO/IEC 33000 e os modelos CMMI, MPS-BR e QPS. A Nasajon Sistemas, num esforço contínuo de melhoria dos seus produtos, optou, em 2018, por participar de uma avaliação do modelo QPS. Este modelo avalia um grande conjunto de critérios de diferentes dimensões e, dentre eles, atributos de processo onde busca-se identificar se os processos da empresa avaliada são executados, se sua execução é gerenciada, se seus produtos de trabalho são gerenciados, se o processo é definido e, por fim, se o processo está implementado (ROCHA et al, 2018).
A Nasajon obteve êxito na avaliação do modelo QPS, tendo sido avaliada no nível ouro, o melhor resultado possível. A partir deste resultado é possível assumir que a estratégia adotada pela empresa foi uma estratégia de sucesso. Sendo assim, o objetivo deste artigo é apresentar uma ferramenta que foi crucial na obtenção deste resultado: as instâncias da MOPE.
A INSTÂNCIA DA MOPE DA NASAJON
A Matriz de Operações e Processos Empresariais (MOPE) é um framework de processos. Ela é composta por processos genéricos que têm o objetivo de representar os processos que são comuns a todas as empresas. Criada pela Nasajon em 2018, a MOPE conta com uma variedade de mecanismos que são úteis para quem pretende utilizá-la como base para mapear os processos que compõem as operações de sua empresa (OLIVEIRA, 2020).
Por ser genérica, a MOPE permite que sejam criadas instâncias dela adaptadas à realidade de uma empresa ou organização. Uma instância da MOPE funciona como uma cópia da matriz original onde dela tiram-se os processos e atividades que não se adequam à organização que a está utilizando e adicionam-se processos e atividades específicos daquela empresa à estrutura da matriz quando julga-se necessário. Pode-se dizer que uma instância da MOPE é uma MOPE especializada.
Partindo deste princípio, a Nasajon criou seu Portal de Operações e Processos, uma instância da MOPE (Figura 1). Nele são mantidas as descrições dos processos e atividades executados pela empresa de forma detalhada estabelecendo atores, recursos, pré e pós-condições, periodicidade e mais uma série de informações importantes de cada processo. São também mantidos no portal os padrões de artefatos de processos, modelos de documentos etc.

Apesar de adaptada, uma instância da MOPE mantém ainda a estrutura de matriz, o mecanismo indexador e todos os demais elementos que compõem a MOPE e que fazem sentido para a organização que a está utilizando. A Figura 2 ilustra como foi mantido no Portal de Operações e Processos da Nasajon o mecanismo indexador da MOPE, tornando assim possível identificar qual processo desta instância diz respeito a qual processo da MOPE.
Além do fato de se poder remover ou adicionar processos e atividades na estrutura de matriz da MOPE, ao criar uma nova instância, pode-se também apenas adaptar os elementos que já estão presentes na matriz para melhor adequação ao cenário da empresa. No caso da Nasajon, por exemplo, a atividade da MOPE 361.A3 Manter versões do produtos e serviços em operação se tornou 361.A3 Manutenção e evolução dos produtos e serviços em operação (Figura 2). Isto ocorreu, pois as manutenções evolutivas, na Nasajon, são controladas juntamente com os demais tipos de manutenção (corretivas e adaptativas), ou seja, faz sentido que componham a mesma atividade.
Na instância da MOPE pode-se obter também maior detalhamento através da criação de subprocessos. Cada atividade descrita no Portal de Operações e Processos da Nasajon conta com um conjunto de subprocessos, onde detalha-se cada tarefa deste subprocesso de forma a estabelecer atores, descrição, artefatos, recursos utilizados, entradas e saídas (Figura 3).


CONCLUSÃO
A ideia deste artigo foi apresentar um uso prático da MOPE. Muito além de uma ferramenta conceitual, a MOPE foi um dos principais motivos de a Nasajon ter conseguido nota máxima na avaliação de qualidade do modelo QPS da COPPE/UFRJ. Este resultado serve como evidência de que a MOPE é uma ferramenta eficaz para o mapeamento de operações e processos empresariais.
A Matriz de Operações e Processos Empresariais (MOPE), veio para deixar o ERP Nasajon ainda mais completo, confiável e eficiente. Conheça mais sobre os ERPs da Nasajon e garanta a efetividade, segurança e integração em seus processos empresariais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ashrafi, N. (2003). The impact of software process improvement on quality: in theory and practice. Information & Management, 40(7), 677-690.
Oliveira, I. (2020). Nasajon MOPE: uma estratégia para o mapeamento de processos empresariais. Nasajon. Disponível em: https://nasajon.com.br/nasajon-mope-uma-estrategia-para-o-mapeamento-de-processos-empresariais/
Rocha, A. R., Travassos, G. H., Santos, G., & Reinehr, S. (2018). QPS-Modelo para Avaliação da Qualidade de Produtos de Software: Resultados Iniciais.